: a Dama da cena :
Quando a luz cessou ela continuou no palco. Sozinha! Sorriu, chorou, fez graça, fez drama, cantou, tirou as roupas, se embebedou, fingiu, mas não fugiu. Encarou o medo do escuro. Estava tentando acreditar que havia uma melhor maneira. Chorou muito! Chorou por não saber qual era a melhor maneira de continuar estrelando. Dama não saiu de cena, permaneceu e ainda está tentando. Isso é o que mais importa agora. Ela tinha um espetáculo a viver. Ela e só ela:a Dama da cena:
segunda-feira, 7 de maio de 2012
De saco cheio
De saco cheio de comer e sentir culpa.
De saco cheio de nunca emagrecer.
De saco cheio de estar doente e ver o quanto os médicos são incapazes de combinar um diagnóstico.
De saco cheio de estar sempre rouca e engasgada.
De saco cheio de sentir muito sono.
De saco cheio de ter que, para os outros, estar bonita, mais do que ser bonita.
De saco cheio de viver em obras, de barulho, de poeira e de ir ao banheiro sempre com uma necessair.
De saco cheio de não ter espaço. De não ser bem vinda.
De saco cheio de ser menos importante do que gostaria ou merecia ser.
De saco cheio de não parar de pensar no que os outros pensam sobre mim e meus atos.
De saco cheio de me importar com as pessoas tentando achar razão para toda e qualquer loucura que eu me permito fazer, ainda que com medo de errar.
De saco cheio de errar!
De saco cheio de não saber o que fazer. De fazer. De não fazer...
De saco cheio de não ser correspondida. De esperar.
De saco cheio de não poder ter um cahorro.
De ser segundo plano. Inclusive nos meus por diversas vezes.
De saco cheio de fazer muitos planos.
De saco cheio de me decepcionar.
De saco cheio de ser ciumenta e sempre... controlar.
De saco cheio de ter muitas dívidas e muitas dúvidas.
De saco cheio das roupas apertadas que visto, dos sapatos que me incomodam, de usar sutiã...
De saco cheio de perder objetos pessoais entre uma casa e outra, uma escola e outra, uma sala e outra, um quarto e outro...
De saco cheio do barulho, bem... De saco cheio de me cobrar saber cuidar do meu carro e de não saber, de fato.
De saco cheio dos meus amores inventados e de todas as possibilidades impossíveis que insisto em levar em conta.
De saco cheio de me cobrar demais e de ver pouco resultado em tudo que faço.
De saco cheio!
De saco cheio.
segunda-feira, 12 de março de 2012
E o vento levou...
Quando me assentei ao seu lado ela me mostrou que havia comprado um novo conjunto daquele que havia sido o meu
favorito quando criança. Aquele com listras cor de rosa que formavam quadrados e algumas flores. Ela disse que foi difícil achar mas que o preço
estava bom e que era "um bom corte". Eu não fazia ideia do que isso significava.
Ela me falou de um por um. O preço, o nome do tecido, onde comprou, como foi negociar... Depois segurou a minha mão e disse que precisaria fazer uma viagem e que já havia comprado tudo. Naquele momento eu podia jurar que ela estava ficando louca, mas ela estava feliz! Satisfeita com as compras. A casa estava arrumada e perfumada. O pratinho e o vaso de todas as flores estavam limpos e secos. Ela fumava um cigarro e tentava me explicar melhor o que estava acontecendo, mas eu não entendi nada. Ainda não entendi nada... Só entendi que minha mãe finalmente estava feliz, deixou o que conseguiu deixar, foi embora e nunca mais pode voltar.
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Sou uma otimista
"Eu que não sei pedir nada", confio. Confio com a certeza de que eles me observam e sabem que "sou amor da cabeça aos pés", que escolho o filme pelo nome mais romântico e que "adoro um amor inventado".
"Eu que não sei pedir nada", espero sinais e, vez ou outra, sinto vergonha por não parecer real e por querer, sempre, o que sequer posso ousar pedir.
domingo, 12 de fevereiro de 2012
:a Dama da cena:
Quando a luz cessou ela continuou no palco. Sozinha! Sorriu, chorou, fez graça, fez drama, cantou, tirou as roupas, se embebedou, fingiu, mas não fugiu. Encarou o medo do escuro. Buscou razões para confiar que seria possível. Ela não podia sair de cena, mas temia ser confiante e estar errada novamente. Punia-se pelos seus erros e ainda assim era alegre frente tanta tristeza. Notou, por entre randômicos fechos de luz, que alguns de seus melhores expectadores se foram (para sempre...), mas a deram a alegria de saber que estiveram ali e que também acreditavam naquele espetáculo. Inevitavelmente eles seriam eternos.sábado, 11 de fevereiro de 2012
A gosto do oposto
Ignorante, mas cheia de detalhes e de atencão a eles.
Ocupada com a culpa e ainda assim disponível ao erro.
Tolerante à intolerância.
Cheia de nada e vazia de muitas coisas.
Sinto medo do que há de mais encantador.Encanto com o que possuo de mais medonho.
Rio quando choro, mas nunca chorei por rir.
Esqueço de me lembrar, mas sou incapaz de lembrar de me esquecer.
Choro a fé.
Padeço.
Omito o óbvio.
Grito silenciosamente.
Silencio gritos.
Me esforço para relaxar.
Concordo com o absurdo.
Mereço o que não possuo.
Não pertenço a perda pois
Sou amiga do impossível.
Sou discutivelmente incrível.
Perfeitamente insegura.
Com os pés fincados nas nuvens
Me apego a liberdade,
Organizo a libertinagem
E cruzo os braços para fazer muita coisa acontecer.
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Tempo
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Personal Bubble Space
OK. The thing is:
I'm, literally, a large person. So I NEED a large personal space and you would need a LARGE effort to invade it and get into my bubble.
But I do believe you could gently do that at some point.
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Exemplar Disponível Ao Roubo
É politicamente rebelde.É um homem de repetições sem propósito
E de métodos que não se sabe definir se arcáicos ou modernos
Pelos efeitos que nos causam.
Miguel quer esquecer os dezembros.
Suponho que tal mês o remeta a uma louca solidão,
Como a de um pombo que vive numa praça de Londres.
Miguel é inseguro e "sangra dúvida".
É sagaz e nada fugaz.
Miguel é exótico!
É mentiroso, mas é romântico...
Feliz de Marina que recebe a libertinagem erótica de Miguel.
Feliz o acaso,
O mar e o lar.
Feliz alcova
Que aninha Miguel, Marina
E toda a Irmandade.
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Decepção
Sobre a minha insilenciável decepção com os homens durante o ano que passou, e mais uma vez, os digo:

Gostar de verdade de futebol
Ouvir músicas variadas
Ser ciumenta, mas ser discreta
Não ter medo de barata
Não fazer questão de que abram a porta
Não pedir que carreguem o peso
Dividir a conta
Não querer ir fazer compras
Não beber
Beber
Dirigir
Ir a Amsterdã
Ir ao Encontro de Jovens com Cristo
Falar três línguas
Trabalhar
Querer receber uma nova família
Gostar de crianças
Escrever poemas
Cozinhar
Lavar
Querer viajar
Achar o maior charme dormir em barracas
Ser, literalmente, flexível
Quase nunca ter dor de cabeça
Ser sincera ao falar de sentimentos
Ser uma princesa
Não ser uma princesa...
Para (a maioria d)os homens, nada disso tem mais importância do que um corpo magro, um cabelo bem arrumado, um rosto maquiado, um pescoço perfumado e um par de seios a mostra.
domingo, 25 de dezembro de 2011
Sobre meu Natal

Por inspiração de minha querida amiga Karine Colen eu gostaria de justificar o fato de eu não mais gostar de Natal:
“Natal pra mim é uma data bem triste, é quando as pessoas lembram o quanto é importante ter uma família e o quanto cada um que já se foi ou que não está por perto faz falta dentro de nós. Aparecem os choros, os abraços que não foram dados o ano todo, as palavras de carinho que deviam ser ditas no dia-a-dia...”
Eu sinto falta de ter uma família e de poder ter por perto as pessoas que são importantes. Qual é a dificuldade de demonstrar carinho no dia a dia? Falta coragem? Tempo? Ou falta mesmo carinho? Sim... Porque se o que falta é carinho, aí está tudo explicado! E o que resta para a noite de Natal é um turbilhão de falso sentimentalismo ou de pura hipocrisia.
A magia do Natal, para mim está neste momento em que as pessoas se olham, se abraçam, se perdoam, conversam e se amam como em nenhum outro dia do ano. Natal é sim uma data especial. Fato! Palavra de quem consegue ser sensível todos os dias do ano. O que quero dizer com isso? Que eu que não costumo perder a chance de demonstrar carinho. Portanto, eu me perguntei hoje pela manhã qual seria o sentido deste Natal para mim.
A minha proposta para o ano que acabou de passar tinha mesmo sido tentar ser mais egoísta, me (pre)ocupar mais comigo e de mim mesma. Com isso, abraços deixaram de ser dados, cartas deixaram de ser escritas, aniversários deixaram de ser celebrados, visitas deixaram de ser feitas, amigos deixaram de ser acompanhados, ligações deixaram de ser feitas, e-mails deixaram de ser respondidos, colegas deixaram de ser levados a sério, pessoas pararam de ser tão admiradas, estrangeiros deixaram de ser amados, favores deixaram de ser feitos e a tolerância, bem como a paciência, tiveram limites. Não amei ninguém menos devido tal escolha, mas tenho a certeza de que fui menos amada. Me senti menos amada, mas aprendi a me amar mais. Contudo me amei sozinha. E, por isso, também hoje quis avaliar se o meu auto investimento valeu a pena.
Eu não sei.
O que me falta não é coragem, tempo nem disposição para demonstrar mais amor aos que estão sempre comigo. Falta é estímulo! Falta que as pessoas tenham paciência, tolerância, carinho, consideração e respeito. Não exijo que sejam na mesma medida, pois aprendi, com uma pessoa muito especial, que nunca devemos esperar que os outros nos amem com a mesma intensidade e da mesma maneira como as amamos. O que eu espero, sempre esperei e continuarei esperando é que, de alguma forma, todo o amor que sinto, todo o carinho que demonstro, toda a preocupação e zelo que sinto fossem recíprocos.
Se você de alguma forma sentiu a minha falta ao longo deste ano, tenha a certeza de que não foi recíproco. Se foi, perdão... Eu não senti o suficiente. Eu esperava mais de você, mas nunca pude cobrar.
O que espero do Natal é o que espero todos os dias ao sair da minha cama ou chegar cansada em casa. É que seja verdadeiro, intenso e recíproco.



